Há um preceito sufi que reza: “Se a palavra que vais dizer não for mais bela do que o silêncio, não a digas”
Para falar, ouvir o Silêncio
"Nunca houve nem haverá outro como eu"
A questão que o ser humano é para si mesmo mostra-se paradoxal. Por um lado, é inevitável: o abismo insuperável entre o que espera e quer ser e o que realmente alcança, obriga-o a perguntar: o que sou? Que ser é esse que é entre ser e não ser e que nunca é plenamente? Por outro lado, a questão é insolúvel, porque, para conhecer-se, ele precisava de saltar para fora de si em ordem a poder ver-se de fora, objectivamente. Ora, precisamente este salto é impossível.
Depois, o ser humano vive-se a si mesmo em processo e em tensão. E são muitas as suas tensões. Lá está sempre a pulsão e a lógica, a afectividade e o pensamento, o inconsciente e o consciente, a emoção e o cálculo, o impulso e a razão. Aliás, essa tensão inscreve-se numa base neurofisiológica — há o cérebro que funciona holisticamente, mas com três níveis: o paleocérebro, o cérebro arcaico, reptiliano, o mesocéfalo, o cérebro da afectividade, e o córtex com o neocórtex, em conexão com as capacidades lógico-racionais. Não é sabido, até por experiência própria, que muitas vezes as respostas emocionais escapam ao controlo racional por causa do chamado “atalho neuronal” e do “sequestro emocional”, como mostrou Paul D. Mac Lean? De repente, demos uma resposta a alguém de que depois nos arrependemos, a pulsão sobrepôs-se à razão...
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É verdadeiramente paradoxal a constituição humana. Somos constituídos e vamo-nos constituindo a partir de uma herança genética e de uma história, numa determinada cultura. É próprio do Homem não ter uma natureza fixa e imóvel, porque é histórico e cultural.
Somos afectivos e racionais. Ninguém começa com a inquirição racional do mundo. Primeiro, o ser humano sentiu o mundo e foi afectado por ele, positiva ou negativamente. É muito lentamente que a razão se vai erguendo no seu uso teórico-prático.
O Homem é situado, sumamente concreto: resulta daquele óvulo fecundado por aquele espermatozóide, naquele instante, e, sempre, com uma história concreta — esta e não outra. Ao mesmo tempo é aberto: ao presente, ao passado e ao futuro, a todos os outros seres humanos, à realidade toda, ao que há e ao que não há, pois é também o ser da utopia e do sonho e do ilimitadamente possível. A pergunta vai até ao infinito...
Por isso, é único. Nunca houve nem haverá outro como eu. Lá está o grito de Unamuno: “Cada um de nós é único e insubstituível. Não há outro eu no mundo! Não há outro eu! Havê-los-á mais velhos e mais novos, melhores e piores, mas não outro eu. Eu sou algo inteiramente novo. Eu não quero deixar-me classificar, porque eu, Miguel de Unamuno, como qualquer outro homem que aspire à consciência plena, sou espécie única”. Ao mesmo tempo, o Homem é relacional e, precisamente porque é relação sem limites, aberto a tudo, vem a si mesmo como único, pessoal e comunitário.
Na gigantesca História do universo e da evolução, sabemos que há Homem, quando aparecem rituais funerários. Como os outros animais, o Homem também morre, mas, ao contrário dos outros, sabe que é mortal e angustia-se com a morte.
O Homem sabe que é finito, mas essa consciência da finitude é-lhe dada na abertura ao Infinito. Esta abertura é condição de possibilidade da consciência do finito enquanto finito. É nela que se enraíza a condição da pergunta religiosa enquanto tal.
O ser humano é festivo e sério, condicionado e livre, é homo sapiens e também homo demens — sapiens sapiens e demens demens (sapiente sapiente e demente demente). E homo dolens (sofredor) e homo sperans (esperante).
Assim, precisamos de reflectir sobre nós mesmos. Os fins de semana e as próprias férias não precisam de ser agitação constante. Também podem ser e deveriam ser tempo de meditação.
É muito interessante a constatação do vínculo entre meditação, medicina e moderação. As três têm como étimo o verbo latino mederi, que tem o sentido de medir, pensar, curar, restabelecer o equilíbrio. Cá está! É sempre a medida e a justeza que estão em causa. Porque a saúde resulta do equilíbrio e da harmonia. A moderação tem a ver com a medida justa. A meditação é ponderação e pesagem para o equilíbrio harmónico.
Precisamos de viver reconciliados/reconciliadas, em harmonia. Para evitar perigo maior, de que falava D. António Ferreira Gomes, o famoso bispo do Porto: a agitação paralisante e a paralisia agitante.
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