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"O que está na base deste processo de degradação ambiental é o paradigma tecnocrático"
Com data de 4 de Outubro, o dia da festa de São Francisco de Assis, e 8 anos depois da publicação da encíclica Laudato Sí, Francisco publicou a Exortação Apostólica Laudate Deum, com a intenção de partilhar com todas as pessoas de boa vontade a sua “profunda preocupação pelo cuidado da nossa casa comum”, porque, “com o passar do tempo, dá-se conta de que não estamos a reagir de modo satisfatório, pois este mundo que nos acolhe está-se esboroando e talvez aproximando de um ponto de ruptura. Independentemente desta possibilidade, não há dúvida de que o impacto da alteração climática prejudicará cada vez mais a vida de muitas pessoas e famílias. Sentiremos os seus efeitos em termos de saúde, emprego, acesso aos recursos, habitação, migrações forçadas e noutros âmbitos”.
Entre a primeira afirmação do texto: “Louvai a Deus (Laudate Deum) por todas as suas criaturas” e a última: “Laudate Deum é o título desta carta, porque um ser humano que pretenda tomar o lugar de Deus torna-se o pior inimigo para si mesmo, Francisco desenvolve o seu grito profético em cinco pontos: 1. a crise climática global; 2. o crescente paradigma tecnocrático; 3. a fragilidade da política internacional; 4. as conferências sobre o clima e o que se espera da COP28, no Dubai; 5. as motivações espirituais: um “antropocentrismo situado”.
Faço notar que o relatório anual científico Lancet Countdown, publicado já neste mês de Novembro, traça cenários dramáticos para a Humanidade, se a actual trajectória de emissões de gases com efeito de estufa continuar: o número de mortes associadas ao calor extremo, por exemplo, pode mais do que quadruplicar até 2050.
O que está na base deste processo de degradação ambiental é o paradigma tecnocrático. Nunca a Humanidade teve tanto poder, mas “nada garante que o utilizará bem, sobretudo se se considerar a maneira como o está a fazer.” O aumento de poder não significa sempre um progresso para a humanidade, pois pode destruir a vida. Desgraçadamente, “a lógica do máximo lucro ao menor custo, disfarçada de racionalidade, progresso e promessas ilusórias, torna impossível qualquer preocupação sincera com a casa comum".
A próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, de 30 de Novembro a 12 de Dezembro próximo, tem lugar no Dubai.
Francisco, que estará presente, espera que constitua “um ponto de viragem”, que “se torne histórica”. Para isso, repete: “Para que se quer preservar hoje um poder que será recordado pela sua incapacidade de intervir quando era urgente e necessário fazê-lo?”
É claro que o ser humano é especial e único, tem “um valor peculiar e central no meio do concerto de todos os seres, mas hoje somos obrigados a reconhecer que só é possível defender um ‘antropocentrismo situado’, ou seja, reconhecer que a vida humana não se pode compreender nem sustentar sem as outras criaturas”.
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