"Confia aos jovens a tarefa de serem “revolucionários”, “discípulos missionários, mensageiros da Boa Nova de Jesus, sobretudo para os contemporâneos e os amigos"
Afinal, tanta vaidade oca! Ah!, tantos desastres pessoais, sociais, económicos..., se teriam evitado, se tivesse havido a graça do meditar em silêncio!
E aí está o fundamento de todos os silêncios: o silêncio perante o Mistério Inefável, Deus, que transcende tudo quanto se possa pensar ou dizer dele
"Numa conferência sobre o silêncio, comecei por pedir um minuto de silêncio. E em silêncio perguntei-me como é que os participantes — este, aquela — terão ocupado esse minuto"
"A pergunta coloca-se aliás em relação a todos os minutos de silêncio pedidos em diversas circunstâncias. Sim, como se ocupa esse minuto de silêncio? Evidentemente, vai depender também das circunstâncias e de quem pede esse minuto"
"Há muitos tipos de silêncio. Logo de início, é essencial entender que há os maus silêncios, alguns abomináveis, que é preciso exorcizar; depois, aqueles que a vida nos traz"
"Em terceiro lugar, reflectir sobre uma cultura da pausa e do silêncio e ouvir o silêncio, se quisermos ser verdadeiramente humanos e não perder o essencial"
"Este é o famoso dilema de Epicuro: ou Deus pôde evitar o mal, mas não quis, e então não é bom; ou quis, mas não pôde, e então não é omnipotente"
Como escreve o filósofo da religião Andrés Torres Queiruga — e a filosofia e a teologia terá sempre essa dívida para com ele —, um mundo finito "não pode existir sem que no seu funcionamento e realização apareça também o mal"
"O mal é o aguilhão contra a fé; assim: por um lado, a existência do mal põe a fé em sobressalto, mas, por outro, sem a fé em Deus, não há resposta para o abismo do mal"
"A filosofia nasceu da necessidade constitutiva do ser humano de distinguir entre a opinião e a verdade, entre o parecer e o ser, entre a aparência e a realidade"
"O mesmo em relação ao poder: nunca estamos satisfeitos com o que temos porque, na verdade, não sabemos como traduzir esse poder em felicidade"
"Como é que devemos interpretar o facto de a Igreja Católica ter credenciado uns quantos padres como estando habilitados para fazer exorcismos? Isso não faz sentido.."
"Sim, o diabo não existe, os exorcismos não fazem sentido. O que, na minha opinião, deve haver é uma espécie de pacto médico-pastoral, como na Alemanha"
"Sabe? O diabo também faz muito jeito a muita gente que não está para se converter. Diabos é o que mais há por aí, incluindo nós próprios: muitas vezes nós somos o diabo para nós"
"O diabo está nas más acções das pessoas!… No fundo, o que está a dizer é que as pessoas têm que chamar mais a elas a responsabilidade sobre as pessoas que são e a vida que levam"
"Se me pergunta se há diabo, eu não acredito. Aliás, o diabo não está no Credo, no Credo cristão. Jesus não pregou o diabo, Jesus pregou o Reino de Deus, o Evangelho, o Mistério último, que é Deus enquanto Pai/Mãe"
"Frequentemente, aquilo que eu noto é que há pessoas que não acreditam em Deus, mas acreditam no diabo"
"De facto, muitas vezes, na altura, atribuía-se ao diabo doenças, depressões, que nós hoje sabemos que são do foro psicológico ou psiquiátrico e, portanto, devemos ajudar as pessoas mandando-as ao médico, mandando-as ao psiquiatra"
"Esta é a notícia, a melhor notícia que a Humanidade ouviu na sua História: Deus é bom, é Pai e Mãe de todos e o seu interesse é a alegria, a felicidade, a realização plena de todos os seus filhos e filhas"
"Muitos acreditaram e formaram-se comunidades por todo o lado. E viviam a alegria da fé, por palavras e obras"
"Só mais tarde, nos séculos III-IV, quando os cristãos foram acusados de não oferecer sacrifícios à divindade, se interpretou a Eucaristia como sacrifício"
O que se impõe não é excluir a mulher. O que se exige, quando se atende ao Novo Testamento, é “a compreensão de que também o presbítero não é um sacerdote"
"E impressiona que também as religiões tenham de ser acusadas, pois, com excepção do taoísmo, tendem para a misoginia"
"E Jesus? Escandalosamente, pois era contra o espírito e a atitude daquele tempo, tinha discípulos e discípulas"
"Neste contexto, é necessário considerar como histórica, quase uma revolução, a recente decisão do Papa Francisco anunciando que 80 entre os participantes com direito a voz e voto no próximo Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade"
"Um corpo humano canta, ora, sorri, produz obras de arte, que param o tempo e visibilizam a transcendência. De um bloco de mármore Miguel Ângelo arranca a Pietà"
"Quando dois corpos humanos se abraçam são duas pessoas que dizem uma à outra quanto se querem bem""
"Permanentemente espreita o perigo de coisificar o corpo ou de desprezá-lo, refugiando-se num idealismo angélico"
"A questão da subjectividade pertence ao núcleo da reflexão humana. Embora algumas correntes filosóficas falem da sua dissolução, penso que o sujeito é ineliminável"
"O "eu" do autoconhecimento não é redutível àquilo a que nos referimos com nomes ou caracterizações"
"Por mim, afirmo que há a experiência vivida e inexpugnável do eu, ainda que numa identidade em transformação, que continuamente se faz, desfaz e refaz"
"Apesar de não se afastar por princípio a possibilidade de se poder vir a dar essa compreensão, o filósofo Colin McGinn pensa que talvez nunca venhamos a entender como é que a consciência surge num mundo corporal, a partir de processos físicos"
"A nossa missão e tarefa é, fazendo o que fazemos, fazermo-nos a nós próprios. E todos morremos inacabados"
"E o que há de mais fundamental, essencial, do que a questão de Deus? Há Filosofia sem a pergunta por Deus? Se não quisermos permanecer na superfície ou nas simples convenções, se quisermos apresentar seriamente o fundamento da dignidade humana, dos direitos humanos, não é aí que vamos desembocar?"
"Para Jean Paul, a morte de Deus não era ainda um destino espiritual inevitável. Apenas a tentação de uma possibilidade ameaçadora"
"Aqui chegados e tomando consciência de escândalos que clamam aos céus, impõe-se que a Igreja se pergunte pela sua responsabilidade no aumento do ateísmo"
É do essencial que a Páscoa trata. E lá está Pascal: “Jesus estará em agonia até ao fim dos tempos; é preciso não dormir durante esse tempo”
Na Paixão, estamos todos. Jesus não morreu vítima de Deus, que precisaria da sua morte para aplacar a Sua ira e assim poder reconcialiar-se com a Humanidade
Jesus morreu na cruz, a morte horrenda que os romanos davam aos rebeldes e aos escravos. Aparentemente, foi o fim. O enigma histórico do cristianismo é que, pouco tempo depois, os discípulos voltaram a reunir-se e foram anunciar ao mundo que aquele crucificado é realmente o Messias, o Salvador
O poder dos padres e dos bispos, do clero, é tantas vezes “excessivo e distanciador”
A Igreja continua demasiado “romanocêntrica”. A mensagem do Evangelho precisa de encarnar nas várias culturas e actualizar a linguagem
Impõe-se cuidar das vítimas, que têm de ocupar o centro, fazer reparação, também financeira, sabendo que é um pecado hediondo, mas também um crime. E fica a necessidade de repensar a formação dos padres, também no domínio afectivo-sexual
"Que dizer da ignomínia da pedofilia? Para ela, “tolerância zero”. E não apenas com palavras, mas com determinações seguras, também penais: a pedofilia não é só um pecado, é um crime"
Francisco é combatente acérrimo contra o clericalismo e o carreirismo eclesiástico, uma “peste” na Igreja. Não quer “bispos príncipes” nem “bispos de aeroporto”
"Desde o princípio, defensor acérrimo da paz, a sua intervenção política foi notada, a ponto de se ter tornado um líder político-moral global, talvez o mais ouvido"
"Com a tomada de consciência da tragédia da pedofilia, fala-se de um sismo e impõe-se uma reconstrução desde os fundamentos: Jesus e o Evangelho"
De que sofre a Igreja? A Igreja católica, a maior, a mais poderosa, a mais internacional Igreja, essa grande comunidade de fé, está "realmente doente", "sofre do sistema romano de poder"
"A Igreja não pode entender-se como um aparelho de poder ou uma empresa religiosa, mas como povo de Deus e comunidade do Espírito Santo nos diferentes lugares e no mundo"
"A reflexão tem de atender aos números, mas, como diz o Papa Francisco, mesmo que houvesse apenas um caso, seria uma tragédia"
"O abuso é sempre abuso de poder. De facto, de um lado está um adulto e do outro uma criança inocente. No caso da Igreja, o abuso é mais brutal, porque se trata de um poder considerado sacro, divino, e, por outro lado, a família e as crianças confiavam na Igreja e nos padres"
"Neste caso concreto, sem esquecer que se trata também de um crime hediondo, exige-se um pedido sentido de perdão, um apoio sólido às vitimas, psicológico, psiquiátrico, e, na medida do possível e em condições a estabelecer, também financeiro"
"Os encobridores, que antepuseram a defesa da instituição, que queriam ver prestigiada, imaculada, à defesa das vítimas, deveriam demitir-se"
"Como explica no seu Credo o famoso teólogo Hans Küng, “a Igreja é a ‘assembleia’, a ‘comunidade’ dos que crêem que Jesus é o Cristo, dos que fizeram sua a causa de Jesus e dela dão testemunho como esperança para todos”
"Ora, Jesus queria a Igreja enquanto Povo de Deus, não uma Igreja instituição de poder e clerical, com duas classes: de um lado, a hierarquia, o clero, que ensina e que manda em nome de Deus, e, do outro, os leigos, os que obedecem"
"Portanto, o que se passou e passa é que a hierarquia, padres e bispos, sacralizaram-se, atribuindo-se a si mesmos privilégios sacros ao serviço dos quais estaria o próprio celibato"